Este terrível tema é infelizmente uma realidade cada vez mais presente na actualidade.
O sofrimento de uma mulher que passa por este arranhão da vida não tem explicação e apenas elas podem dizer o que sentem. Mas também a família sofre e luta com elas. É essencial o apoio da família e amigos nesta luta tão dura. Faz toda a diferença!
Há 5 anos atrás, quando eu tinha apenas 15 aninhos e vivia á margem de problemas, a noticia que nunca esperei ouvir chegou á minha vida. Pensava eu que todos os males apenas aconteciam aos outros, mas a vida encarregou-se de me ensinar que isso é uma fantasia.
A minha mãe com apenas 40 anos na altura, recebeu essa noticia como uma bomba. A ideia que seria um simples quisto tornou-se nítida e cruel quando o resultado da biopsia foi confirmado. Era cancro, e infelizmente maligno.
Fiquei perplexa, como podia isto acontecer logo a ela, perguntei enumeras vezes porquê a ela. Mas nunca obtive resposta. E hoje em dia penso de outra forma, e porque não ela? Não somos todos iguais? Infelizmente ninguém esta livre de nada.
Mentalizei-me na altura que nunca iria chorar á frente dela, pelo contrário apoiei e lutei sempre para que ela sorrisse e esquecesse o problema. Ela tinha de perceber que eu estaria ali sempre. E por isso apenas chorava á noite na cama para que ninguém me ouvisse.
O medo de a perder era enorme mas mostrar esta minha fraqueza só a iria deitar a baixo.
Na primeira consulta em que tudo iria ser decidido, estive presente junto com o meu pai, porque aquela luta não ia ser só dela. Ela merecia todo o apoio possível.
Felizmente o local onde ia ser operada não era um sítio deprimente, pelo contrário. Foi na maternidade Bissaya Barreto que tudo se passou, num local cheio de alegria onde todos os dias nasciam novas vidas. Também ela iria renascer de novo depois da operação.
Conheci médicos fantásticos, que souberam lidar com uma garota de 15 anos e explicar tudo passo a passo para que eu visse que tudo ia correr bem e que não haveria riscos.
E assim foi. Tudo correu bem e nem quimioterapia necessitou, a minha mãe foi uma lutadora. Como me orgulho dela, da força dela.
Fazer uma mastectomia para uma mulher é trágico é uma mutilação. Perder algo tão feminino que nos caracteriza dói muito e afecta a personalidade de qualquer mulher. Mas apesar disso sempre teve forças e tudo por mim. Foi em mim que pensou todo o tempo, foi por mim que lutou, porque pior que perder um peito era nunca mais me ver.
Não há nada como o amor de mãe :)
Com tudo isto queria apenas deixar uma mensagem de força a todas as mulheres que sofrem este dilema. Todas somos fortes, sempre o fomos, e o melhor que há, é agarrem-se á vida, não há nada mais importante.
Lutar e vencer são as palavras de ordem para combater este inimigo! Muita força :)